quinta-feira, 8 de maio de 2008

Claro não terá exclusividade...

...na venda do iPhone no Brasil

A Apple confirmou ontem que fechou contrato para a venda do iPhone com a América Móvil, controladora da Claro. Jeniffer Bowcock, porta-voz da Apple para o iPhone, disse que a empresa de tecnologia está entusiasmada com a parceria, mas não mencionou detalhes do acordo. O iPhone será lançado em 16 países da América Latina com cobertura da América Móvil, incluindo o Brasil.

Divulgação
Operadora Claro não terá exclusividade na venda do celular iPhone, da Apple, no Brasil
Operadora Claro não terá exclusividade na venda do celular iPhone, da Apple, no Brasil

Segundo Bowcock, não há data prevista para a chegada do celular da Apple que navega pela internet, mas ele estará nas lojas até o final do ano.

Em geral, a Apple fecha contratos exclusivos com as operadoras de telefonia para a venda do iPhone. Foi assim nos EUA e na Europa. Mas, aos poucos, a concorrência consegue quebrar esse protocolo. Na Itália, o iPhone já é vendido pela Vodafone e pela Telecom Italia.

Em nota oficial, a mexicana América Móvil não menciona a exclusividade, nem fala dos modelos de iPhone que virão ao Brasil, nem da faixa de preços. A Folha apurou que a Claro não terá a exclusividade. Ontem, o presidente da Claro, João Cox, estava no México para acertar detalhes da operação de lançamento do iPhone.

Outro ponto incerto do acordo é a estréia do iTunes, a loja virtual da Apple que vende conteúdos atrelados ao iPhone. É por esse canal que a Apple obtém boa parte de sua receita, a partir da venda de músicas e vídeos. Sem ela, estima-se que a Apple perderá anualmente cerca de US$ 120 por comprador do iPhone, segundo analistas estrangeiros.

Surpresa

A vitória da América Móvil, do empresário mexicano Carlos Slim, foi uma surpresa para a Telefónica. A Folha apurou que a companhia espanhola ainda está na mesa de negociação para lançar o iPhone nos países da América Latina onde ela tem subsidiárias móveis.

No Brasil, a Vivo seria a operadora a lançar o celular, mas as conversas emperraram no último mês. Isso porque a Apple pedia participação na receita da Vivo, como fez com a AT&T, nos EUA, a O2, no Reino Unido, e a Deutsche Telecom, na Alemanha.

Além disso, queria que a Telefónica subsidiasse os aparelhos para que fossem vendidos a preços baixos, incentivando sua massificação. Nos EUA, um aparelho sai por US$ 400. Aqui, custaria aproximadamente R$ 2.500.

Os espanhóis recusaram-se a fechar o acordo, alegando que a proposta não fazia sentido em uma região onde imperam as vendas não-oficiais de iPhones desbloqueados.

Uma fonte envolvida nas negociações da Telefónica e que não pode ter seu nome identificado acredita que a Claro deve ter aberto mão de parte de sua receita para fechar o acordo e virar o jogo.

O acordo com a Claro é fechado em um momento decisivo para a Apple. Embora ela tenha faturado com a venda de 1,4 milhão de iPhones em atividade no momento pelo mercado paralelo (estima-se que no Brasil sejam aproximadamente 300 mil), ela deixaria de ganhar US$ 1 bilhão por ano com a receita de serviços e conteúdos via iTunes, caso não fizesse nada para antecipar o lançamento do iPhone em países antes desconsiderados.

Na terça-feira (6), a operadora britânica Vodafone anunciou que ganhou o direito de vender o iPhone em dez países: Portugal, Itália, Turquia, República Tcheca, Egito, Grécia, Nova Zelândia, Austrália, Índia e África do Sul. O iPhone também é vendido nos Estados Unidos, na França, na Alemanha, no Reino Unido, na Irlanda e na Áustria.

Isso explica, em parte, por que Steve Jobs, em seu último comunicado ao mercado, em 23 de abril, previu a venda de 10 milhões de iPhones até o final desse ano, o dobro da marca atual. Analistas acreditam que Jobs entendeu que não pode restringir o mercado e impor regras comerciais rígidas ao iPhone, um produto que tem "vida própria".

Fonte: Folha Online

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